CVLPATVS

Tu culpatus es.


Arte digital por Christian Sisson
em Abril de 2010

Chegando ao fim desta minha vida de pecador, enquanto encanecido, envelheço como o mundo, à espera de perder-me no abismo sem fundo da divindade silenciosa e deserta, participando da luz inconversível das inteligências angélicas, já entrevado com meu corpo pesado e doente, apresto-me a deixar sobre este pergaminho o testemunho dos eventos dolorosos a que na juventude me foi dado a recolher intensamente em minh’alma. Que minha mão não trema enquanto revivo o passado e os sentimentos de angústia que um dia oprimiram meu coração.

Trecho extraído e adaptado da obra “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco.

Porque a minha maldade eu a conheço e o meu pecado diante de mim.
Contra ti só pequei, e fiz o mal diante dos teus olhos.
Aparta teu rosto dos meus pecados, dá-me a alegria da tua salvação e apaga todas as minhas maldades.

Trecho extraído e adaptado do Salmo L da Bíblia Sagrada, tradução de Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, 1867.

À distância, viam-me apenas como um homem: De perto, viam a construção complexa de minh’alma, e julgaram-me culpado.
À distância, viam-me apenas como um homem: De perto, viam as marcas deixadas pelo meu passado, e julgaram-me culpado.
À distância, viam-me apenas como um homem: De perto, viam as acusações que carregava como fardo, e julgaram-me culpado.
À distância, viam-me apenas como um homem: De perto, viam minha dor, e julgaram-me culpado.

‘Love is the answer’ — John Lennon